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INFLAÇÃO DOS ALIMENTOS: DE QUEM É A CULPA?

Temos observado um crescente debate nos últimos meses sobre um assunto que atinge toda a população brasileira e de forma mais acentuada os produtores rurais, a alta da inflação, impulsionada pelos preços dos alimentos, que tiveram variação expressiva ao longo de 2024 e entraram 2025 assustando ainda.

 

De acordo com o Consultor Financeiro e de Governança Randolfo Oliveira, a meta da inflação estabelecida pelo Banco Central para 2025 é de 3%, porém, só em fevereiro a inflação foi de 1,31%, a maior dos últimos 22 anos. “Parece pouco quando falamos em 1,31% no mês, mas se multiplicarmos isto por 12 meses e teremos uma inflação de aproximadamente 16%, valor altíssimo e de grandes prejuízos”, explica. Esse descontrole da economia e da inflação tem levado o Banco Central a aumentar todo mês a taxa Selic, subindo na última reunião do COPOM para 14,25%, gerando a inviabilidade de muitos negócios no país, especialmente na área rural.

 

Oliveira ressalta que o Governo Federal, ao invés de encontrar soluções cabíveis para conter esse problema, que seria em um primeiro momento, cortar os gastos exagerados e fora de controle, quer adotar medidas paliativas. “A primeira medida adotada foi a isenção de importação de alguns produtos rurais, essenciais na mesa do brasileiro, como carne bovina, café, milho, açúcar e outros. Isto traz pouco ou quase nada de impacto na inflação dos alimentos”.

 

A questão crítica, que Oliveira enfatiza, é a vontade do governo em taxar as exportações de produtos agropecuários, pensando que isto vai resolver o problema. “Limitar ou encarecer a exportação tende a desestimular a produção de produtos agrícolas. Apesar de que isto possa ter um efeito de aumento de oferta no curto prazo e baixar preços, no médio e longo prazo (talvez já no plantio da próxima safra de soja) a restrição causa esse desestímulo e diminui a produção. Ou seja, no longo prazo reduz a oferta e causa uma inflação ainda muito maior”.

 

É necessário entender que a elevação nos preços dos alimentos passa por uma série de fatores e que o produtor rural não é o vilão da história, muito pelo contrário, ele vem enfrentando desafios ao longo dos anos e tentando se recompor e se estabilizar. “Minha sugestão é que o produtor rural procure se organizar financeiramente através de uma gestão financeira eficiente para poder suportar algum período de maior dificuldade que poderá vir pela frente e contar ainda com a ajuda de entidades de classe como Sindicato Rural, FAEG e Aprosoja para evitar taxações futuras e em paralelo, cobrar dos deputados Federais e Estaduais para que trabalhem em cojunto a Frente Parlamentar Agropecuária, para que estas atuem junto ao poder executivo”.

 

Enquanto nenhuma ação concreta é definida, o produtor rural não deve desanimar e sim, planejar estratégias com firmeza e cautela.