O agronegócio brasileiro, um pilar fundamental para a economia nacional e reconhecido pela relevância na segurança alimentar mundial, atravessa uma fase de retração expressiva no segundo ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, segundo dados divulgados recentemente pelo IBGE.
O setor, que historicamente se manteve resiliente, apresenta agora indicadores preocupantes que refletem tanto internamente quanto externamente, prejudicando toda a cadeia. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção agropecuária apresentou uma retração de 1,5% no quarto trimestre de 2024 se comparado com o mesmo período de 2023, sendo este, o quarto trimestre consecutivo de declínio, sinalizando um ano inteiramente negativo para o setor.
Ao longo de 2024, a diminuição acumulada da produção agropecuária foi de 3,2%, o que representa o pior resultado desde 2016, quando o agronegócio sofreu uma retração de 5,2%, ainda reflexo da crise econômica do governo Dilma Rousseff.
O declínio do agronegócio ao longo de 2024 seguiu uma tendência preocupante:
1º trimestre: queda de 5,5% em relação ao trimestre anterior;
2º trimestre: recuo de 3,3%;
3º trimestre: retração de 0,8%;
4º trimestre: nova queda de 1,5%.
Esses dados só reforçam uma sequência de desafios que vem sendo enfrentados desde o início do ano, uma vez que a desaceleração não afeta somente o setor produtivo, mas a cadeia toda, como por exemplo, áreas importantes como o mercado de máquinas agrícolas. As vendas de colheitadeiras de grãos, por exemplo, caíram para menos da metade do volume registrado no ano anterior, evidenciando um impacto direto na cadeia produtiva.
A área financeira também apresenta uma fragilidade enorme. Podemos citar o aumento expressivo de empresas em recuperação judicial, que conforme dados divulgados pelo Serasa aumentaram significativamente em 2024 e também a inadimplência bancária, só o Banco do Brasil teve um crescimento expressivo, saltando de menos de 1% em 2023 para mais de 2% no ano seguinte. Esses dados são reflexos de um ambiente de crédito mais restritivo e de custos mais elevados.
O Consultor Financeiro e de Governança Randolfo Oliveira acredita que as causas dessa retração são um conjunto de fatores combinados e que se entrelaçam, causando efeitos em longa escala. “Várias são as causas desta retração no agronegócio. Cada produtor, ele teve uma causa diferente, dependendo do estágio de evolução do seu negócio. Mas as causas mais comuns foram: o excesso de investimento nos anos 2021 e 2022, que foram os anos de bonança, juros altíssimos nos custeios e financiamentos, com a taxa selic a 13,25% e mais algumas correções, a média está ficando de 18% a 20% ao ano e a queda no preço dos grãos”.
Oliveira salienta que a saída agora é a profissionalização. “É preciso colocar um olhar mais empresarial naquilo que chamamos de porteira fora, que contempla, entre outras coisas, implementar governança e gestão financeira, sem esses dois pilares, será difícil o produtor dar continuidade no negócio, pelo menos de forma rentável”, conclui.
O futuro do setor dependerá da capacidade de adaptação às novas condições econômicas, políticas e ambientais, além da busca por soluções inovadoras para os problemas estruturais que atualmente limitam o desempenho.